sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Entrevista ao Jornal "Margem Sul" - "Tenho tido o apoio dos moradores mais informados"

Foto "Margem Sul"

Numa atitude pouco comum, um cidadão apresentou, na Assembleia Municipal do Barreiro, um projecto estruturado que pretende ser uma alternativa de localização para o mercado da Verderena, que encerra em Setembro, e simultaneamente um motor de revitalização do Barreiro Velho. Entre apoios e resistências, que estão a surgir cada vez mais, António Cabós Gonçalves promete não desistir e afirma-se disposto até a levar a sua proposta a referendo.

Pode ler toda a entrevista aqui


quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Faça-se, então, o ponto da situação! (2)

Por absoluta falta de tempo, não tenho tido oportunidade de dar resposta ou prestar um conjunto de esclarecimentos a algumas pessoas identificadas e outras que preferiram manter o anonimato que, ao longo dos últimos tempos, têm manifestado algumas opiniões discordantes ou uma oposição “feroz” e determinada, em jornais, na blogosfera ou em tomadas de posição publicitadas.

E, também, através de um abaixo assinado “contra a implantação do Mercado de Levante na Rua Marquês de Pombal”, com cujo petitório literal eu concordo absolutamente e que me apetecia muito assinar, só não o fazendo porque desconfio que alguém iria considerar isso uma provocação!

Quanto aos “opositores” refiro-me, especialmente e em concreto:

a) A um 2º Editorial do Luís Zuzarte

que, entretanto, me telefonou clarificando que, ao contrário do que eu tinha concluído no meu post, ele não gosta de nenhum tipo de mercado de rua – e aos cidadãos que deram a cara e a fala no inquérito de rua publicado na “Voz do Barreiro”;




Clique nas imagens acima para aumentar

b) Aos meus prezados amigos VCN e Luís Carlos Santos;

c) Ao VTM no Blog “Barreiro Velho” que me tem brindado com vários posts e que integrava a “Comissão Ad hoc para o Barreiro Velho”, a qual, ao que sei agora, desenvolveu uma esforçada actividade nos idos de 2003 e cujo “relatório” está disponível aqui;

d) À "Kimberley", que parece ter uma obsessão “militante” contra a minha ideia, o que a leva a pôr, num blog com o seu nome, aparentemente criado quando resolveu começar esta sua “luta”, a minha fotografia ao lado da de um nativo da Austrália, numa comparação implícita a que eu achei piada e registei.

Esta “blogger” frequenta assiduamente a caixa de mensagens deste blog e o correio electrónico do VTM, que publica os seus mails, e insurge-se, convenhamos que com um pouco menos de urbanidade do que é costume, contra o facto de eu transcrever um post do André Batista no meu Blog, ou de eu não lhe responder com a prontidão que ela deseja às suas postagens ou comentários.

Á “Kimberley”, desejo dizer, desde já, que no meu tempo sou eu que mando, os meus ritmos sou eu que os traço e não costumo ligar muito a tentativas de achincalhamento, a supostos insultos ou a insinuações idiotas.

Ainda assim, irei responder-lhe, um dia destes, concretamente, às perguntas concretas que me formulou, de que eu ainda não me esqueci.

Todavia, quanto ao seu comentário ao post sobre o André Batista, devo dizer-lhe o seguinte:

Naturalmente que percebi as suas referências “cinéfilas” a que não achei muita piada. Não sei em que meios se move, aliás ninguém sabe, mas, aparentemente, deve ser no meio de lobbies, apadrinhamentos e esquemas semelhantes, já que tão conhecedora se mostra desses ambientes. A minha vida fala por mim, A sua falará pela sua.

O André Batista é meu afilhado, desde que nasceu, porque os pais, pessoas a quem V. Exª, provavelmente, nunca conseguirá tocar nem nos calcanhares, assim o decidiram. Não tenho nada a ver com as suas opções políticas e em vários momentos lhe tenho feito observações críticas sobre algumas.

Gosto muito do André, que é maior, vacinado e muito independente na sua vida e, por isso, não lhe admito, nem a ninguém, que o atinja ou ofenda, quando o que pretenda seja visar-me a mim. Esperemos que isso fique percebido e que o seu bom senso e a sua consciência a iluminem…

De resto, comigo, fique à vontade e diga o que quiser! Respondo-lhe se puder, se quiser e quando eu decidir. Como agora.

e) Ao Blog, ontem surgido, “Eu sou contra o Mercado”, infelizmente de Autor anónimo, que denota bom humor e uma dose razoável de preconceitos vários;

f) Ao Sr. Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Joaquim Matias

Farei o “impossível” para, tão logo possa, dar a todos a resposta que considerar adequada.

Continua…

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Faça-se, então, o ponto da situação! (1)



Muita gente me tem perguntado, desde ontem, como correu a reunião agendada com o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto Carvalho.

A resposta é: correu muito bem e outra coisa não seria de esperar!

Devo salientar que, estando o Presidente, como é mais ou menos público, em convalescença de uma operação cirúrgica, feita a semana passada, deslocou-se, de propósito, aos Paços do Concelho, para cumprir a sua palavra e participar na reunião que tinha combinado, muito embora eu me tenha disponibilizado para adiá-la, se necessário. Resta-me agradecer o gesto e realçar a atitude.

Mas eu irei publicar – talvez amanhã, se conseguir,,, – uma espécie de “acta” onde darei conta do que se passou e de quais os passos que se seguem.

De qualquer modo, ao contrário do que tinha previsto, acabei por não entregar hoje o requerimento formal contendo a última versão do Projecto, ao abrigo do exercício do Direito de Petição. E, consequentemente, ficou adiada a conferência de imprensa que tinha previsto.

Tal decisão não tem nenhuma relação directa com a referida reunião com o Edil. O que se passa é que eu resolvi desenvolver, com mais extensão do que à partida tencionava, um conjunto de aspectos parcelares do Projecto inicialmente apresentado, a saber:

1 – A definição estratégica do Projecto global de regeneração e desenvolvimento do Barreiro Velho e o papel central do “Mercado de Rua Marquês de Pombal” nessa estratégia;

2 - O modelo de Financiamento e de Gestão de todo o Projecto – para o que entreguei, ontem, ao Sr. Presidente da Câmara Municipal, uma proposta de Contrato Social da entidade empresarial a que chamei “Sociedade de Desenvolvimento do Barreiro Velho S. A.”, a qual estará, brevemente, disponível na Internet;

3 – As questões de segurança – para o que entreguei, igualmente, um dossier contendo as principais linhas mestras de todo o esquema de segurança de pessoas e bens, as plantas de implantação do mercado com a delimitação das vias de acesso a veículos de socorro e o “Regulamento Geral de Funcionamento das Brigadas de Apoio Local”, a criar no Barreiro Velho, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 426/89 de 6/12 de 1989;

4 – O modelo do Mercado proposto, sua gestão e financiamento, sectorização e patrocínios, conceito e configuração dos módulos, logística da montagem e desmontagem;

5 – As Parcerias

6 – Os equipamentos de uso colectivo.

De qualquer modo, não quero publicar essa postagem com o relato da reunião sem, antes, prestar alguns esclarecimentos, para que não se pense que estou a deixar para trás questões incómodas, ou a deixar de salientar apoios e contributos que muito me honram e animam.

continua...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Apoios e contributos (3) - O André no Barreiro Velho


Desde o início deste projecto, o meu afilhado, André Pinotes Batista, conhecido militante do Partido Socialista e da JS, a quem fui explicando os contornos da ideia, me ofereceu toda a colaboração de que necessitasse.

Ficou
claro, desde logo, que o anúncio público e o desenvolvimento desta ideia não tinha nada que ver com a filiação partidária de ambos, explicando-lhe eu que assumia, sozinho, os riscos e os custos de uma iniciativa que, basicamente, seria minha, muito embora se destinasse, natural e necessariamente, a ser "apropriada" por todos que a quisessem tomar como sua.

O André constituiu uma ajuda preciosa na "logística" da apresentação da ideia, no passado dia 31 de Julho, na Assembleia Municipal. Encadernou todos os 25 dossiers que distribuí, "encapou" CD's, transportou pessoas da pequena equipa que me ajudou e acompanhou - o Eduardo e a Martine Santos - e acabou por me levar a mim, completamente stressado (eu!) a tempo de, in extremis, me inscrever para os meus 4 minutos e 7 segundos de power point atabalhoado...

Depois disso, no seu Blog "Vox Clamantis in deserto" tem sido dos mais fervorosos apoiantes, se calhar porque conhece o Projecto e o que me anima, como poucos o saberão.

Um destes dias, pedi-lhe que concluísse um trabalho que eu tinha iniciado de levantamento, o mais exaustivo possível, da situação dos prédios na zona de implantação do Mercado. O André aceitou de bom grado o "encargo" , tanto mais que tem uma paixão camarra pelo Barreiro Velho.

Recebi hoje, logo de manhã, o resultado do trabalho, para cuja realização o André andou, por ali, a falar com as pessoas.

Ao visitar o seu blog, dei com um texto de hoje, que foi para a Blogosfera pelas 5:57 (ai André, André...), com o título
Resposta ao comentário do heterónimo - "António" que é, como o próprio nome indica, uma resposta ao seguinte comentário, feito na postagem O Mercado e a Cidadania:

Anónimo disse...

Boa noite, sempre podes ir ao barreiro velho, mais concretamente ao local em questão e subscreveres o abaixo assinado elaborado pelos moradores contra essa ideia descabida aventada por esse tal individuo militante do PS.
abraço

antónio

O André respondeu-lhe de uma forma que não resisto a transcrever, para memória futura:

Caro "António",

Passei toda a tarde de hoje lá, após sair do trabalho, a proceder a um levantamento exaustivo do estado de cada um dos edifícios da Rua Marquês Pombal. O muito trabalho que me deu esta tarefa têm como grande gratificação a conquista de um mais profundo conhecimento do estado das edificações daquela rua, bem como da aquisição de um conhecimento mais exacto do número de casas abandonadas, entaipadas e inclusivamente ocupadas ilegalmente.

Confesso que esta zona do Barreiro significa muito para mim, fruto de inúmeras horas passadas nos estabelecimentos comerciais ali situados, e da casa da minha amiga e ferrenha comunista - Zezinha.

Do ponto de vista humano, esta experiência foi ainda mais atraente, pois permitiu-me estabelecer contacto com muitos moradores, e constatar a enorme corrente desinformação que por ali circula em relação à proposta do meu estimado padrinho – Cabós Gonçalves.

Caro “António”, deixe-me que lhe diga, – prevendo que me vá acusar de estar a adoptar uma postura elitista, de quem pensa saber o que é melhor para quem lá mora – que esta minha constatação fundamenta-se apenas com o facto das pessoas deterem informações erradas ou mistificadas a propósito do conceito do Mercado Marquês Pombal.

Respeito quem discorda fundadamente desta ideia, mas resta-me uma questão: Quem pode ter interesse em patrocinar esta campanha de desinformação?


Nota: Os dados por mim recolhidos foram entregues ao António Cabós para que os trate da forma que entenda mais conveniente. Posteriormente à sua utilização em prol do enriquecimento do projecto desta Iniciativa de Cidadania, procederei a uma análise mais detalhada daquilo que me foi levado a concluir. Penso que a escrita dessa crónica, constituir-se-á como um proveitoso exercício para que, aqueles que têm acompanhado a maturação desta ideia, possam entender melhor a realidade sobre a qual se pretende agir.


Fica prometido para breve.

Atenciosamente,

André Pinotes Batista



segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Reacções Adversas (1) – VTM e o Blog “Barreiro Velho”, Luís Zuzarte e a “Voz do Barreiro”

Luís Zuzarte - foto "Voz do Barreiro"

Na semana que agora findou, por razões imperativas de carácter profissional, não tive qualquer hipótese de me dedicar, como gostaria, à questão do “Mercado de Rua Marquês de Pombal” e da urgente requalificação do Barreiro Velho.

Lamento-o profundamente, porque foi exactamente na semana em que surgiram, com mais intensidade, um conjunto de reacções negativas à ideia que apresentei, as quais, na Blogosfera, já vinham tendo um arauto no Blog “Barreiro Velho”, desde que o seu Autor, no passado dia 11 de Agosto, aliás respondendo a uma “provocação” minha, publicou a postagem “Encher chouriços ao Marquês”.

Esse texto teve 2 comentários: uma resposta minha, e uma apreciação negativa do meu amigo VCN.

As coisas ficaram por aí, com várias pessoas a manifestarem apoio ao Projecto nas postagens subsequentes que fui fazendo, até que, em 16 de Agosto, um anónimo, em comentário ao texto Apoios e Contributos (2) - D. Cidália Cardoso, Feirante, transcreveu o Editorial de Luís Zuzarte, no jornal “Voz do Barreiro”, desse dia, que, sob a rubrica “Hoje falo eu”, dizia o seguinte:

O famigerado mercado

Na crista da onda está agora o ainda vivo mercado da Verderena que, a curtíssimo prazo, deixará de estar. Em causa o desaparecimento de um espaço e, quiçá de um tipo de venda que, em minha opinião, nunca deveria existir, com aquela dimensão e com o tipo de alguns produtos que sempre ofereceu sem que ninguém se preocupasse com isso, até que a ASAI lhe fez uma inesperada visita.

Nada tenho contra a venda ambulante e, muito menos, contra quem governa a vida através dessa forma. Tenho, sim, contra as regras e comportamentos quer de quem deixa funcionar mercados assim “à balda” e contra quem, se aproveita dessa “rebaldaria”.

Ao pensar assim, entendo que o ainda chamado mercado da Verderena, jamais deveria ter existido da forma como existe e porque assim penso, considero utópico admitir sequer ser possível a sua transferência mais para dentro da zona urbana, seja ela velha ou nova, sob pena de se matar aquilo que serve de fundamento a uma eventual revitalização de zonas históricas.

Estes mercados de rua, porque o são mesmo, vendendo o que ali se vende sem o rigor na higiene a que se obriga qualquer estabelecimento comercial, não podem, nem devem, continuar e muito menos existir. Doa isto a quem doer e possa isto contrariar alguns políticos habilidosos caçadores de votos. E, a propósito, convirá aqui lembrar a alguns políticos amnésicos que, quando o assunto foi discutido e decidido em reunião camarária, só o PSD votou contra e o PS absteve-se, ou seja, quem cala consente. Mas adiante.

A Autarquia, como se sabe, está num processo, também discutível, de construção de um novo mercado e reconversão do espaço envolvente, pensando ser isso, futuramente, um ponto aglutinador de vida no centro da cidade.

Quanto a mim não o será, mas isso são contas de outro rosário e para outra ocasião. O que interessa aqui, a propósito, é que se ampliem essas novas/futuras instalações e se remetam para esse mercado todas essas almas que, hoje, andam por aí ao pó, ao vento e à chuva a venderem o que bem lhes apetece e alguns o que não devem, por questões de saúde pública. Essa seria, quanto a mim, a solução mais responsável.

Para a via pública, tal como na Rua Augusta, em Lisboa, ou em outras cidades europeias e até mesmo à entrada de La Valeta, na ilha de Malta, as feiras são outras. O artesanato, as coisas típicas e a marroquinaria e até material “hi-fi”, constituem ali, sempre, espaços desejados a visitar.

E não venha ninguém dizer-me que falo assim porque não conheço este ou aquele outro lugar, seja em Londres ou na ilha de Chipre, porque a isso responderei, desde já, que se forem como o mercado da Verderena, nem quero conhecer.

Fiquei, então, a saber, como se vê pelos meus sublinhados, a opinião do distinto jornalista em relação a dois aspectos:

1º - Que a solução para o fim anunciado do Mercado da Verderena deveria ser meter no Mercado 1º de Maio, convenientemente ampliado para o efeito, os feirantes que hoje vendem no chamado Mercado de Levante. “Essa seria”, segundo o Luís Zuzarte, “a solução mais responsável”;

2º - Que o Luís Zuzarte gosta de Mercados na via pública, desde que sejam feiras onde se possam comprar “o artesanato, as coisas típicas e a marroquinaria e até material “hi-fi”, o que os torna “sempre, espaços desejados a visitar”.

Fiquei, por isso, muito mais descansado!...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Barreiro Velho - O diagnóstico (1)

Investigando, há minutos, as várias "soluções" que, ao longo dos tempos, se foram apresentando para resolver o problema do Barreiro Velho, dei "de caras", de repente, com o despacho da Agência Lusa abaixo reproduzido, datado de 2006-03-26, arquivado aqui, no site da "Rádio Mirasado", que acho "precioso" para "começo de conversa" e intróito às postagens que tenciono fazer, nos próximos dias, sobre todas as questões que envolvem o Barreiro Velho.

No texto "Juro que não quero!" adiantei um retrato da situação e das suas causas, baseado no conhecimento profundo que tenho - também por razões profissionais - de toda a zona do Barreiro Velho, nas suas múltiplas componentes.

A partir de agora irei analisar os resultados, efectivos, de algumas medidas que, ao longo das últimas décadas, foram apontadas, ensaiadas, postas no terreno ou, apenas, anunciadas, como sendo a panaceia para todos os males.

Não pretendo imputar culpas a ninguém, nem entrar no jogo fácil da maledicência sem nenhuma base fáctica. Trata-se, apenas, de proceder a uma avaliação, tão exaustiva quanto as circunstâncias o permitem, do que foi feito, com vista a evitar, no futuro, cometer erros semelhantes aos que se provem terem sido cometidos.

Espero, assim, poder demonstrar que a solução que irei, detalhadamente, apresentar é a única que permitirá uma actuação eficaz no sentido que todos parecem querer: a rápida renovação e requalificação do Barreiro Velho.

Repare-se, entretanto, com atenção, no diagnóstico e nas hipóteses de resolução de que o texto fala...


Centros Históricos: Barreiro Antigo está cada vez mais velho
(2006-03-26)

O Barreiro tem poucas razões para celebrar na terça-feira o Dia Nacional dos Centros Históricos, a zona antiga da cidade, habitada maioritariamente por idosos, caiu no abandono: as ruas, de dia, estão desertas e as casas muito degradadas.

Nas ruas Marquês de Pombal e Aguiar, duas das principais artérias, há vários prédios à beira da ruína, emparedados para venda ou com as fachadas de azulejos esburacadas, sem telhado nem janelas e que servem de abrigo a pombos.

São escassos os imóveis recuperados pelos proprietários, como também são poucos os estabelecimentos comerciais alternativos às dezenas de bares e discotecas que se fixaram nas décadas de 1980 e 90.

A Rua Aguiar, que até aos anos 50 foi a mais concorrida da cidade em lojas, perdeu fregueses e habitantes.

Ali, como em outras ruas do centro histórico, só as casas de diversão nocturna é que trazem enchentes de jovens, ruidosos, ao local.

Um diagnóstico efectuado há cerca de quatro anos pela Direcção- Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) já alertava que o Barreiro Antigo, que ainda possui vestígios de arquitectura medieval, pombalina e republicana, tinha habitações degradadas, abandonadas ou descaracterizadas por alterações no revestimento exterior tradicional, na volumetria e na caixilharia de portas e janelas.

De acordo com o inventário da DGEMN sobre o património arquitectónico do núcleo histórico, a maioria dos edifícios (63 por cento) encontrava-se em mau estado de conservação.

Olga Costa Mano, 79 anos, moradora na zona desde que nasceu, assiste "com tristeza" à "degradação" do local que, diz, "se tem agravado de ano para ano".

"Os proprietários - pessoas idosas ou herdeiros de famílias muito antigas - não têm dinheiro para recuperar as casas", lamenta, ironizando que o centro histórico do Barreiro "está a transformar-se num lugar de casas emparedadas e bares".

"Durante o dia quase não se vê ninguém na rua. às sextas e sábados à noite anda a rapaziada nova dos bares", acrescenta, por seu turno, António Parente, 62 anos, que explora há 16 um minimercado onde se vende de tudo um pouco.

O comerciante conta que a maioria dos moradores são "pessoas de idade que pagam pouca renda" e que, quando vagam as habitações, os proprietários "fecham os edifícios" para evitar a entrada de inquilinos indesejados.

António Parente crê que, se houvesse mais comércio, este "traria mais gente" ao Barreiro Velho, que "a coisa mais bonita que tem é a frente de rio".

O comerciante é da opinião que a Câmara deveria ter dado mais atenção ao local.

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, reconhece que a autarquia, ao longo de sucessivos anos, poderia ter actuado com maior veemência.

"Mas não se caminhou para isso por falta de recursos financeiros", sustenta.

O autarca do PCP considera que "há uma certa impotência" do município para renovar o património imóvel do centro histórico, uma vez que, além da recorrente falta de verbas, é confrontado com o facto de a esmagadora maioria dos edifícios ser propriedade privada.

Beneficiando do estatuto de Área Crítica desde meados dos anos 90, o Barreiro Antigo tem sido alvo de poucas obras de vulto por parte de particulares e autarquia.

O ex-executivo camarário liderado pelo comunista Pedro Canário, que defendia que deviam ser os privados a recuperarem as casas, apenas no seu terceiro mandato (1998-2001) calcetou o Largo Casal e apoiou financeiramente a colectividade "Os Penicheiros" na pintura da fachada da sua sede, um edifício construído em 1926 sob influências do estilo "Arte Nova".

Na altura na oposição, o PS, que contestou a renúncia da autarquia em adquirir 14 imóveis a seu ver de interesse patrimonial, propôs a criação de uma empresa municipal para gerir a reabilitação dos edifícios com vista a readaptá-los a novos usos, como equipamentos sociais, museus ou residências universitárias.

Chegados à liderança do município, em 2002, os socialistas prometeram candidatar o centro histórico do Barreiro ao programa de financiamento de obras de reabilitação urbana PROHABITA, mas o actual executivo comunista, presidido desde Outubro por Carlos Humberto, tem alegado que nada foi feito nesse sentido.

Durante o mandato do socialista Emídio Xavier ainda foram construídos novos balneários públicos, mas uma das suas bandeiras eleitorais, a recuperação do emblemático Clube 22 de Novembro, caiu por terra quando as ruínas do edifício tiveram de ser demolidas por motivos de segurança.

Propriedade municipal, o edifício estilo Art Déco que acolhe a colectividade "O Praiense" continua a aguardar obras de fundo, apesar do seu avançado estado de degradação.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara, Carlos Humberto, disse que, possivelmente este ano poderá iniciar-se "uma intervenção de consolidação" da sede da colectividade.

Questionado sobre as medidas e prazos previstos para a revitalização do centro histórico do Barreiro, o autarca referiu apenas que "estão a ser estudas outras hipóteses" de financiamento, além de uma "eventual" candidatura ao PROHABITA.

"A Câmara, por si só, não tem condições financeiras para recuperar o Barreiro Velho nem pode intervir na propriedade privada", invocou, manifestando o desejo de ali serem instalados equipamentos para jovens e oficinas de artesãos e artistas plásticos.

Fonte: Agência Lusa


domingo, 19 de agosto de 2007

Juro que não quero!


Para acalmar as boas consciências, mais os descrentes nas pessoas em geral e nas de raça diferente, em especial, também os cépticos por natureza e, ainda, os de pituitária sensível, que farejam fantasmas e segundas intenções em tudo o que não provenha deles ou da sua tribo, quero fazer uma declaração solene, para não ter que andar sempre a dizer o mesmo.

Neste singelo “aviso à navegação”, eu juro que não quero:

1Transferir o mercado da Verderena para a Rua Marquês de Pombal, ou para outro local qualquer, já que o que proponho é a criação de um mercado de tipo novo e diferente, onde tenham lugar todos os que estiverem dispostos a cumprir as suas regras, rigorosas, de funcionamento, aqui se incluindo os vendedores do Mercado da Verderena que a isso se dispuserem;

2Que o Barreiro seja notícia pelos resultados espantosos de gigantescas operações da A.S.A.E.;

3Que os produtos alimentares, consumidos por todos os que gostam de ir àquela feira e, no meio do “souk” de toldos, carrinhas e caixotes, comprar frutas, legumes, queijos e chouriços, pão e bolos, passem a ser conspurcados pela porcaria que hoje se vê, por todo o lado, no Barreiro Velho, ao invés daquela película de pó ou lama que cobre os géneros do Mercado da Verderena, quando o calor aperta ou quando a chuva faz poça;

4Que continue a assistir-se a ocupações de casas no Barreiro Velho, ou que persistam as que tiveram lugar ao longo das últimas décadas, sejam elas feitas por ciganos, pretos, brancos ou de qualquer tom de pele, da paleta de cores com que o Criador resolveu dar variedade à espécie humana;

5Que persista o ambiente de degradação económica, social e urbana no Barreiro Velho, onde:

a) À noite, especialmente ao fim de semana, não se consegue dormir antes das 3 ou 4 da manhã, por força da falta de policiamento que ponha na ordem o pessoal - novos e menos novos, brancos, pretos, ciganos ou de qualquer raça - que dá largas à sua euforia, depois de sair dos bares, que são a única actividade económica que ainda se vai mantendo;

b) As ruas estão, geralmente, pejadas de lixo, especialmente aos sábados e domingos;

c) Existe um sentimento geral de insegurança, mesmo que isso, na prática, não corresponda à realidade, não havendo notícia de mais crimes contra as pessoas ou contra a propriedade nesta zona do que no conjunto do território do concelho;

d) Na era do “Plano Tecnológico” e das novas tecnologias, não existe qualquer rede de telecomunicações por cabo e onde até os telemóveis têm uma cobertura de rede completamente deficiente, porque nenhuma operadora de telecomunicações encara de bom grado investir, um cêntimo que seja, para o benefício de uma população envelhecida, marginal ou marginalizada e de fraco poder de compra que, aparentemente, lhes traria pouco retorno.

6Que as casas do Barreiro Velho continuem a cair aos bocados, porque

a) Nos prédios que estão devolutos – a maioria entaipada, para evitar ocupações - os proprietários - quando os mesmos são conhecidos ou não são heranças indivisas, com múltiplos tratos sucessivos a estabelecer, entre herdeiros que não se entendem ou nem sequer se sabe onde estão - não vislumbram qualquer hipótese de recuperar o investimento vultoso que teriam que fazer, porque muito pouca gente quererá pagar uma renda aos preços de hoje, ou comprar aos valores de mercado, para ir morar num sítio com as características acima referidas;

b) Nos prédios arrendados há muitos anos, cujos arrendamentos, muitas vezes, passaram de pais para filhos, noras, netos, viúvos e viúvas dos netos, e parentes ou aparentados vivendo em comunhão de mesa e habitação, a maioria das rendas é baixíssima e quando os herdeiros são muitos e não se entendem, mesmo esses míseros euros, são depositados na CGD… E nessas condições quem é que faz as obras, com custos avultados, que seriam absolutamente necessárias para dar condições de habitabilidade e de dignidade a quem lá vive?

c) Nos prédios ocupados, geralmente os mais degradados dentre todos, em que a desocupação se afigura, à primeira vista, problemática, dadas as características da maioria dos ocupantes, ou os proprietários são conhecidos e poucos, e pensam 2 vezes antes de gastar dinheiro com advogados e tribunais para o despejo, a que se seguiria o entaipamento de portas e janelas, ou são muitos e não se entendem e não há ninguém que assuma o encargo de tais procedimentos.

7 - Impor soluções, sem qualquer contacto ou adequação à realidade, sem viabilidade económica e sem ter em conta o ambiente urbano, social, económico e “psicológico” de quem quer que seja que, cumprindo todas as normas e estando disposto a respeitá-las, possa ser afectado por tais soluções.

8 - Ser candidato, ou candidato a candidato, a qualquer sinecura, lugar, cargo, trabalho, emprego ou mera avença, resultante de eleição ou nomeação, por qualquer entidade pública ou privada, em resultado desta minha iniciativa.

9 - Ganhar qualquer lugar, na grande ou na pequena História nem, ao menos, como breve nota de rodapé.

Espero ter esclarecido tudo o que não quero, começando, assim, a dar resposta a alguns comentários, preocupações ou opiniões claramente negativas de quem, até agora, se deu ao trabalho de intervir na discussão do Projecto, nomeadamente ao VTM do blog “Barreiro Velho”, aqui, e aqui; à Kimberley, que escreveu o post que o mesmo Blog publicou aqui; ao meu amigo e camarada de partido Luís Carlos Santos no Parábase, blog cuja administração eu partilho, embora não exerça muito; ao meu querido amigo VCN, brilhante advogado lisboeta e filho dilecto do Barreiro, em dois comentários a este post e em mensagens electrónicas que me enviou; ao Luís Zuzarte, no seu editorial da Voz do Barreiro, que alguém fez o favor de espalhar pela “blogosfera” e, finalmente, ao António do Telhado que, em comentário que li, já não me lembro onde, acha que eu devia expor a minha ideia e ficar de braços cruzados à espera, para ver o que acontecia, já que tanta “agitação” lhe “cheira” a aproveitamento partidário…

Quanto ao que quero, é simples: contribuir para a resolução do problema do Barreiro Velho, que há muito se vem arrastando e agravando, através da apresentação de um Projecto Global, no qual a criação do “Mercado de Rua Marquês de Pombal” ocupa um papel central.

É que eu nasci no Barreiro, vivo no Barreiro e adoro o Barreiro! Percebido?

sábado, 18 de agosto de 2007

Escutar os interessados...

Muita gente, a começar pelo Sr. Presidente da Câmara, tem manifestado a sua preocupação sobre o impacto do “Mercado de Rua Marquês de Pombal” na vida dos residentes do Barreiro Velho. Acrescenta-se, sempre, uma dúvida, legítima, sobre a reacção dos habitantes daquela zona a este meu Projecto.

Outros há que, baseados na opinião das pessoas que conhecem e com quem falam e na sua própria sensibilidade, afirmam, peremptoriamente, que os habitantes do Barreiro Velho não vão aceitar tão “estranha” ideia.

Só se eu fosse completamente idiota é que pensaria em levar para a frente um projecto destes, sem escutar atentamente a opinião de todos os interessados! Far-me-ão o favor de considerar que, no meio da minha loucura, ainda me resta algum bom senso…

Só que, como se perceberá, se eu tivesse começado por aí, ainda agora estaria a ouvir uma das muitas entidades que, desde o início, encaro como imprescindíveis para levar a minha ideia a bom porto.

E se tivesse iniciado este processo tentando promover reuniões com os habitantes ou com os feirantes, a primeira coisa que me perguntariam era qual a minha legitimidade para estar a fazer convites ou convocatórias sem ter nenhuma proposta credível que servisse de base à discussão.

Por isso decidi apresentar, primeiro, a proposta, suficientemente estruturada para poder servir de base à discussão e aberta, para ser melhorada, a todos os contributos que a possam enriquecer e aperfeiçoar, com vista à sua efectiva concretização.

Assim sendo, todos os momentos da evolução deste processo obedecem a uma calendarização básica que eu próprio defini, sujeita, naturalmente, às adaptações necessárias para a adequar às disponibilidades e iniciativas de todos os interessados, a começar, naturalmente, pela Câmara Municipal do Barreiro, sem a qual, ou contra a qual, seria mera estultícia tentar fosse o que fosse.

Nessa “agenda” estão previstas, há muito, as seguintes acções:

1 - No que diz respeito aos futuros operadores

  • Audição dos feirantes do actual Mercado de levante da Verderena – o que tenciono fazer através da distribuição e tratamento de dados de um inquérito, que, antecipadamente, submeterei à consideração do Dr. José Teixeira Mota, advogado dos feirantes, o que tenciono fazer na próxima semana;
  • Audição dos possíveis interessados em operar no futuro Mercado – O que comecei, ontem, a fazer, distribuindo aos Artesãos presentes na Feira, e ao Kira, que também lá está com os seus quadros e o “Queiradas de Cinta”, um total de 16 dossiers, iguais aos 25 que entreguei na Assembleia Municipal, bem como esta carta e questionário


o qual recolherei no último dia das Festas, de quem o tiver preenchido;

  • Audição dos Comerciantes da Zona do Mercado – para o que irei, durante a semana que vem, entregar o mesmo dossier, uma carta e um pequeno questionário específico.

2 – Quanto à população do Barreiro Velho:

  • Esclarecimento, por todos os modos ao meu alcance, sobre a globalidade do projecto, em todas as suas vertentes, urbanística, económica e social, explicando a importância, para a estratégia delineada, da instalação do Mercado de rua Marquês de Pombal”, regulamentado, confinado e fiscalizado, como forma de potenciar a atractividade da zona, com vista à sua completa e célere requalificação.
  • Plenário público, dirigido aos habitantes do Barreiro Velho, aberto a todos os interessados, que eu já propus que se venha a realizar nos “Penicheiros”, por ser a colectividade mais antiga da zona e ter instalações para isso – mas que também pode ser no Polidesportivo da sede do Luso F. C…. – em data próxima, que eu já propus que fosse 4 de Setembro, mas que me parece mais realista ser realizado em meados do mês que vem, após grande mobilização dos moradores, por todos os meios que se conhecem.
  • Se necessário, convocação de um referendo local, tal como previsto na Lei Orgânica nº 4/2000, de 24 de Agosto, limitado aos eleitores da freguesia do Barreiro, o qual poderá ser convocado por qualquer dos Órgãos Autárquicos que a Lei prevê ou, no caso da freguesia do Barreiro, que tem 8151 eleitores, números de 2005, de acordo com o Recenseamento Eleitoral para a Assembleia da República, requerido por 654 cidadãos, nos termos do nº 2 do Artº 10 e do nº 1 do Artº 13º da referida Lei.

Por agora, gostaria, ainda, de deixar aqui, a parte final da carta, acima reproduzida, que entreguei aos artesãos:

Resta-me dar-lhe uma pequena explicação para este “impulso cívico” que decidi protagonizar.

Ao longo da nossa existência temos que tomar muitas decisões. As mais das vezes elas resultam de uma opção entre duas atitudes possíveis: ou viver de rastos, tentando safar-se o melhor possível, na lógica do “ter”, antecipando e temendo o momento da morte, ou agradecer o privilégio de se estar vivo, compartilhando com os outros o que somos e o que temos, vivendo cada momento, Sérgio Godinho dixit, como sendo o primeiro dia do resto da nossa vida. Não me lembro de alguma vez ter escolhido a primeira de tais opções.

Por isso resolvi avançar com a concretização desta ideia para o que conto com todos os que me queiram acompanhar na jornada. O caminho faz-se caminhando e eu adoro o Barreiro!

Saudações cidadãs do

António Cabós Gonçalves

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Dia 28 de Agosto, reunião formal com a Câmara Municipal do Barreiro!

Foto CMB

Na passada terça-feira, no final de uma reunião, sobre uma questão profissional, há muito agendada, com o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto Carvalho, surgiu a oportunidade de fazermos alguns acertos de pormenor sobre o momento e a forma como irei apresentar à Autarquia a versão 1.1 do Projecto, que resultará de uma revisão e reavaliação da versão entregue na Assembleia Municipal, completada com o desenvolvimento de alguns aspectos insuficientemente tratados na edição anterior e com a introdução de capítulos novos, apenas aflorados no documento original.

No calendário que, para mim mesmo, tinha estipulado, previa entregar a referida documentação no próximo dia 19 de Agosto, domingo, dia do encerramento das Festas do Barreiro, no final de uma conferência de Imprensa, para balanço das festividades, que o Sr. Presidente irá dar.

Sem querer, de modo algum, perturbar esse encontro com os Órgãos de Comunicação Social, pensei que poderia aproveitar tal oportunidade para, simultaneamente, entregar a nova documentação ao Presidente e aos jornalistas.

Todavia, o Sr. Presidente, sugeriu que a apresentação do desenvolvimento do Projecto fosse feita no decorrer de uma reunião formal, de trabalho e esclarecimento mútuo, a realizar nos Paços do Concelho que, imediatamente, se dispôs a agendar.

Nessa reunião, a efectuar no próximo dia 28 de Agosto, estará presente o Sr. Presidente da C.M.B. e os membros do Executivo a que preside ou dos Serviços Camarários que ele entender por bem convocar.

Pelo meu lado, estou inteiramente disponível para prestar todos os esclarecimentos que considerarem convenientes e responder a todas as dúvidas que o Projecto suscitar aos responsáveis autárquicos. É com eles e com todos os interessados - e nunca contra seja quem for - que eu concebo o desenvolvimento da ideia que me surgiu, em que venho trabalhando e que estou absolutamente empenhado em ver transformada em realidade.

O Presidente Carlos Humberto, já o disse publicamente e repetiu-mo agora, gosta muito da ideia, que tem múltiplos aspectos que lhe agradam. Tem também, como é natural, algumas dúvidas sobre a sua exequibilidade a curto prazo, à mistura com preocupações, legítimas e sensatas, em relação à sua concretização no terreno.

Sobre umas e outras espero ter respostas que satisfaçam o Executivo e permitam o avanço do Projecto.

Para isso, no dia seguinte a essa reunião, entregarei, formalmente, na Secretaria da Câmara Municipal do Barreiro, no exercício do Direito de Petição, consignado na Lei 43/90, de 10 de Agosto, um requerimento, no qual exporei a pretensão de que a Câmara delibere sobre a aplicação, no todo ou em parte, do Projecto que venho desenvolvendo, fundamentando tal pretensão e fazendo acompanhar o requerimento de toda a documentação correspondente.

Ainda nesse dia, tenciono convidar os representantes dos Órgãos de Comunicação Social para, de igual modo, lhes apresentar todos os elementos que lhes permitam tratar o assunto da forma que bem entenderem.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Apoios e Contributos (2) - D. Cidália Cardoso, Feirante

Lendo a última edição, de dia 10 de Agosto, do Jornal "Margem Sul", disponível em PDF aqui, deparei, na página 3, com a seguinte opinião, ilustrada com foto, recolhida pelos repórteres daquele Jornal:

Quanto a mim a melhor opção era aquela da rua comprida na cidade velha porque estávamos mais centrados. Agora, os outros locais não conheço bem, mas o importante era ficarmos num local com pessoas e não metidos num sítio qualquer.

Cidália Cardoso, 55 Anos, feirante

Penso que esta senhora é uma das intervenientes no período reservado ao público da Assembleia Municipal Extraordinária convocada para discutir o problema do fim abrupto do Mercado da Verderena.

Uma intervenção que interpelou directamente o Sr. Presidente da Câmara e cuja genuinidade e eloquência sensibilizou todos os presentes. A mim, concretamente, deixou-me os olhos mais húmidos do que o costume.

Tenho a convicção de que a sua opinião traduz o sentir da generalidade dos Feirantes. Por isso resolvi destacá-la.


Apoios e Contributos (1) - Federação Nacional das Associações de Feirantes

Desde que, no passado dia 31 de Junho, apresentei o meu Projecto, no período reservado às intervenções do público, na Assembleia Municipal do Barreiro, muitas têm sido as manifestações de apoio e os contributos que tenho recebido.

Porque o conhecimento de tais apoios, bem como a divulgação da autoria dos contributos que irei incorporando no Projecto, me parecem importantes, irei destacando alguns, para que toda a gente, especialmente os mais directamente interessados, vá sabendo, o mais detalhadamente possível, da evolução do plano que gizei para, simultaneamente, resolver o problema criado com o fim do Mercado da Verderena e começar, decididamente, a requalificar e revitalizar o Barreiro Velho.

Um dos primeiros apoios que me chegou, através de um comentário à 1ª postagem deste Blog, publicado em 6 de Agosto, às 12:34, foi do Sr. Fernando Sá, Presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes, cujo teor desejo destacar:

Boa esta ideia. A Federação Nacional das Associações de Feirantes apoia esta iniciativa e está disponível para contribuir naquilo que o autor desejar. Já agora se nos permite gostaríamos que contacte a ASSOCIAÇÃO DE FEIRANTES DO DISTRITO DE LISBOA, para que possa dar alguma ajuda neste seu projecto.

Fernando Sá

Presidente da FNAF

Entretanto, no site oficial da FNAF, já figurava, desde o dia 3, uma referência à minha primeira mensagem, enviada a todos as pessoas que constavam da primeira lista de mailing que organizei, que o Rostos online publicou como artigo de opinião.

Irei, naturalmente, aceitar a sugestão do Presidente da FNAF e contactarei, oportunamente, a Associação de Feirantes do Distrito de Lisboa.

Bem hajam pelo vosso apoio. Pela importância de que se reveste, aqui fica o devido destaque.


sábado, 11 de agosto de 2007

Entrevista ao JB - "Matar dois coelhos de uma cajadada..."

Dei uma entrevista ao "Jornal do Barreiro" que vem publicada na edição Impressa de 10 de Agosto, com chamada de primeira página, sob a manchete

Não há hipótese do Mercado de Rua Marquês de Pombal ser rejeitado”:

Na edição online, a chamada é a seguinte:

Mercado no Barreiro velho “mata dois coelhos de uma cajadada”

Cabós Gonçalves em entrevista

Em entrevista ao JB, Cabós Gonçalves falou da solução de transferência do Mercado da Verderena para o Barreiro velho, preconizada por si.

Foi ao longo de um passeio pelo Barreiro velho e durante duas horas, que Cabós Gonçalves falou em pormenor ao JB do projecto de transferência do Mercado da Verderena para a Rua Marquês de Pombal, no Barreiro velho, no qual trabalhou sozinho durante três semanas ininterruptamente.

A profissão liberal que exerce e o conhecimento pluridisciplinar de uma série de matérias permitiram-lhe, segundo explicou, “abdicar do seu trabalho para de forma graciosa” se dedicar à concretização de uma proposta de transferência do Mercado, que garante estar “fundamentada ao pormenor e ter resposta para todas as questões.”

A convicção com que defende o seu projecto leva-o a “nem sequer pôr a hipótese de não vir a ser aceite pelo executivo.”

A entrevista, de duas páginas impressas, que eu, embora seja muito suspeito, acho um excelente trabalho da bonita e competente chefe de redacção do JB, Filipa Domingos, resultou longa, porque as matérias tratadas assim o exigiram, mas penso que nela adiantei um conjunto de soluções para a recuperação e requalificação do Barreiro Velho, inseridas num Plano Estratégico, de que a criação do Mercado de Rua Marquês de Pombal é um “motor” essencial.

Porque penso que a referida peça jornalística é muito importante para uma melhor compreensão do Projecto, na sua globalidade, convido à sua leitura, aqui.

Passe algum “exagero” que pode ressaltar da manchete da edição impressa, a verdade é que, cada vez mais me convenço que o Projecto que idealizei e venho apresentando e desenvolvendo constitui a única solução, até agora apresentada, para a resolução, global e integrada de dois enormes problemas – a reinstalação dos feirantes do Mercado da Verderena e a recuperação e requalificação do Barreiro Velho.

É por isso e porque adoro o Barreiro, que nem sequer admito a hipótese de o Projecto não ser concretizado.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O Primeiro e mais importante apoio!

Foto Rostos

Foi, naturalmente, com muito agrado que li a primeiríssima reacção, logo após a 1ª apresentação pública que fiz da Proposta de criação do Mercado de rua Marquês de Pombal. O facto de a mesma ser do Sr. Presidente e de ele ter resolvido manifestar, sem quaisquer “calculismo” político, a sua opinião sincera sobre um projecto que acabara de conhecer com mais pormenor – já que, antes, eu só lhe tinha traçado os contornos da ideia – encheu-me de alegria.

E serviu, já agora, para contrariar a tese dos que, por essa blogosfera fora e nos mentideros dos cafés, esquinas e esplanadas, dizem que o homem não fala nem faz nada sem ouvir as ordens do Comité Central…

Conforme consta do Rostos On line, “no final dos trabalhos da Assembleia Municipal do Barreiro, em diálogo com os jornalistas, foi perguntado ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, qual a sua opinião sobre a proposta apresentada pelo cidadão Cabós Gonçalves. Carlos Humberto, referiu – “Reconheço que, do ponto de vista urbano, do ponto de vista da história, do ponto de vista de uma certa personalidade que aquele espaço tem, é uma ideia que me agrada.

Não é uma ideia concretizável a curto prazo. Precisa e exige muitas medidas, muita ponderação, muita reflexão.”

Várias coisas que são preciso ponderar

Por outro lado o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinhou algumas preocupações referindo – “Questões de Segurança. Por exemplo, vamos pensar, na pior das hipóteses que há um incêndio, quando estão montadas as bancas. Ou que uma pessoa precisa de uma ambulância.

Se calhar, o munícipe, até pensou nestas coisas. Não sei. Mas estas são matérias e várias coisas que são preciso ponderar.”

A concretização vejo-a muito complexa

Por fim Carlos Humberto, comentou – Qual é a aceitação da população, ali residente, de ser instalado um Mercado destes, naquele espaço?”- interrogou.

Do ponto de vista teórico, digo, é uma ideia que me agrada, do ponto de vista prático, tenho algumas reservas. Considero que exige muita ponderação. Tenho esta contradição de sentimentos. A ideia acho-a interessante. A concretização vejo-a muito complexa.– sublinhou a finalizar o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Interpretei tais palavras como um claro apoio à hipótese, nova, que eu resolvi introduzir na discussão pública. De facto, o que significa dizer “que, do ponto de vista urbano, do ponto de vista da história, do ponto de vista de uma certa personalidade que aquele espaço tem, é uma ideia que me agrada”, senão um apoio que resolveu explicitar imediatamente?

Todavia, porque é uma pessoa ponderada, séria na abordagem dos problemas, que sente o peso da responsabilidade da função que desempenha e ama o Barreiro Velho, que conhece como poucos, alertou – e muito bem – para os problemas que, desde logo, identificou, a saber:

a) Que “não é uma ideia concretizável a curto prazo. Precisa e exige muitas medidas, muita ponderação, muita reflexão.”

b) Que existem “questões de Segurança. Por exemplo, vamos pensar, na pior das hipóteses que há um incêndio, quando estão montadas as bancas. Ou que uma pessoa precisa de uma ambulância.”

c) E, finalmenteQual é a aceitação da população, ali residente, de ser instalado um Mercado destes, naquele espaço?

Acrescentou o Sr. Presidente que “se calhar, o munícipe, até pensou nestas coisas. Não sei. Mas estas são matérias e várias coisas que são preciso ponderar.”

Quero descansar o Sr. Presidente. O Munícipe – eu – pensou nessas e noutras coisas, por exemplo:

1 - Várias hipóteses sobre o Modelo de organização empresarial, gestão e financiamento de todo o Projecto, no qual se inclui a criação do Mercado, como potenciador da requalificação urbana e social do Barreiro Velho.

Devo, todavia, esclarecer que uma dessas hipóteses é, para mim, a favorita. Consubstancia-se na criação de uma entidade, a que chamei “Sociedade de Desenvolvimento do Barreiro Velho S. A.”, com um capital social inicial de 1.000.000,00 €, formada em parceria público-privada, com o Município do Barreiro a assegurar, sempre, o controle de 51% do Capital Social e não tendo que investir praticamente nada, em dinheiro vivo.

Sociedade essa que não tem os “perigos” das “Sociedades de Reabilitação Urbana”, ditas S.R.U.’s, de que, segundo sei, o Sr. Presidente e o Partido que representa não gosta muito por, alegadamente, “subtrair” aos Municípios a capacidade de controlar a Gestão Urbana. Lá terão as suas razões…

O modelo que proponho tem exemplos já testados e, brevemente, tornarei publicos uma proposta de estatutos e de um acordo parassocial que tenho praticamente prontos.

2 – As questões de acessibilidades e estacionamento que, naturalmente, necessitam de ser mais desenvolvidas do que as referências esparsas que fiz na proposta que apresentei.

Todavia, na versão 1.1 do documento, que espero entregar-lhe dentro em breve, tais aspectos virão, obviamente, mais desenvolvidos.

3 – Várias hipóteses para a logística do Mercado, nomeadamente sobre os procedimentos de montagem e desmontagem e armazenamento da estrutura, sobre a limpeza da zona.

Naturalmente, um desenvolvimento maior destas questões deverá ser feito por um especialista de logística, que eu não sou.

Ainda assim, conto apresentar, brevemente, um capítulo de desenvolvimento da questão logística que irei adicionar ao Projecto.

Mas, sobre as questões específicas que o Sr. Presidente levantou, algo lhe posso já responder. Assim:

a) Ao contrário do que o Sr. Presidente acha, eu penso que é concretizável a curto prazo, embora precisa e exija muitas medidas, muita ponderação, muita reflexão.

Foi por isso que apresentei, desde logo, um plano de actuação faseado, que explicitarei com detalhe, na próxima versão do Projecto, em preparação.

b) Naturalmente que, como o Sr. Presidente desde logo admitiu, pensei nas várias questões de Segurança, de pessoas e bens, que todo este Projecto implica.

Demonstrarei, numa próxima oportunidade, que a colocação, ordenada, das bancas de venda, nos troços entre casas, permitirão a perfeita circulação das pessoas e a manutenção de um “corredor” livre para a passagem de veículos de socorro. Apresentarei plantas, sector por sector, com a implantação dos postos de venda e a definição dos corredores de acesso.

Irei, ainda, um pouco mais longe e proporei uma iniciativa internacional, utilizando, plenamente, as possibilidades das novas tecnologias, que penso poderá ser, facilmente, financiada por 2 ou 3 parceiros, dentre um grupo que indicarei, explicando os motivos de tal “escolha”.

E, para facilitar o trabalho, indicarei quais as personalidades – e respectivos contactos – que nos poderão ajudar a confrontar experiências semelhantes, em várias cidades onde existem mercados de rua e zonas antigas relevantes.

c) A única coisa que eu, de facto, não posso dizer ao Sr. Presidente é se a população da zona aceita., ou não, todo um projecto de revitalização de toda aquela área que tem como motor principal a instalação do “Mercado de rua Marquês de Pombal”. Nem eu, nem ninguém!

Nesta matéria eu acho que o Sr. Presidente tem razão. Mas na "Cidade da Participação" não deverá ser difícil auscultar, a sério, a população.

Convido-o a fazê-lo. Proponho, até, uma data – 4 de Setembro, uma 3ª feira.

E aponto-lhe um sítio – a S.I.R.B. "Os Penicheiros", colectividade de grandes tradições de envolvimento com a comunidade, que será relativamente fácil motivar para a cedência da sala, bastando explicar o que está em jogo. Se for preciso eu, que até sou sócio, ajudo nessa explicação.

E convém que estejam presentes todos os habitantes do Barreiro Velho, todos os feirantes do Mercado da Verderena e da envolvente do Mercado 1º de Maio, todas as Associações da Zona, os representantes da Junta de Freguesia e da Fábrica da Igreja de Nª. Srª. do Rosário, da Associação de Comerciantes e de Proprietários, da MDC e da Quimiparque…

Penso que a C.M.B. sabe como fazer para se assegurar que toda essa gente estará presente para discutir, sem constrangimentos, regimentais e de tempo, duas questões muito importantes para todos eles – a continuação da actividade de um mercado de rua, conceito com tradições e história, e a requalificação do Barreiro Velho.

Se a Câmara não souber, eu sei. Se a Câmara não fizer eu farei.